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Políticos apontam impacto em 2018

Para petistas, condenação foi para tirar Lula da disputa; adversários consideram candidatura inviabilizada

JÚNIA GAMA, CATARINA ALENCASTRO E CRISTIANE JUNGBLUT – O GLOBO

BRASÍLIA – A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sergio Moro repercutiu imediatamente no Congresso. Petistas protestaram contra a sentença, afirmando que se tratou de um ato político, com o objetivo de inviabilizar a candidatura de Lula à Presidência em 2018. Já parlamentares de outros partidos elogiaram a decisão judicial e destacaram o fato de que o petista estará fora da disputa no ano que vem. Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, mas não teve a prisão decretada. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que é presidente do PT, foi enfática na defesa de Lula. Ela afirmou que deputados e senadores irão amanhã a São Paulo para “estar junto dele nesta hora”.

— Essa é uma condenação política. Querem retirar o Lula do papel político que ele tem na sociedade e estão se utilizando de uma sentença como essa — criticou Gleisi. A senadora afirmou que o PT irá para as ruas se manifestar contra a condenação e que pretende “denunciar internacionalmente” a ação de Moro.

— Outros partidos de esquerda vão mostrar essa solidariedade, também os movimentos sociais, setores da sociedade civil… Não tem justificativa uma sentença como essa. Quais são as provas, Sergio Moro, que você tem contra o presidente Lula? Opinião pública não é prova — reforçou a senadora. O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a condenação tem por objetivo impedir que Lula dispute eleições. Ele também disse que a decisão teve caráter político.

— Essa condenação só tem um objetivo: não permitir que Lula dispute a eleição. Nós sabemos que a Lei da Ficha Limpa impede (após condenação em segunda instância). É um caso inusitado em que o réu é que produz provas da sua inocência, e não o MP sobre a culpabilidade. E o juiz, que deveria ser imparcial, assume função de acusador. Queremos denunciar o caráter político dessa decisão. Lula é absolutamente inocente — afirmou Costa.

No mesmo tom, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que o PT não aceitará calado a decisão:

— Eleição sem Lula é fraude. Se estão achando que não vamos reagir… Poderemos nem participar das eleições e denunciar o processo em nível internacional. O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), reclamou da divulgação da sentença no meio da análise da denúncia contra o presidente Michel Temer.

— É uma condenação feita por um juiz que participou da investigação, da denúncia e agora julgou. É uma decisão que não levou em conta as testemunhas, que não tem nenhuma prova factual de que Lula seja mesmo dono deste famoso tríplex, a não ser a delação de um empresário preso há muito tempo. Não há prova alguma contra o presidente Lula — destacou Zarattini.

RENAN CRITICA

Rompido com Temer, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) defendeu Lula em plenário. Em breve pronunciamento, afirmou que o ex-presidente foi condenado sem provas.

— Nunca é admissível que se condene sem provas, muito menos quem tirou o Brasil do mapa da fome. Ainda bem que temos certeza que, na instância seguinte, vamos reparar — afirmou.

Já no campo adversário de Lula, o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), disse que a condenação é uma notícia “muito desagradável” para o petista, mas pontuou que cabe recurso. Perguntado sobre como a sentença pode afetar as eleições presidenciais do ano que vem, o tucano afirmou que não está na torcida para que Lula não possa ser candidato.

— Era algo que já se esperava. Ele certamente vai recorrer, então temos que aguardar. Mas é uma notícia muito desagradável para ele. Com relação à eleição, eu não torço para que ele seja impedido de concorrer. Agora, tenho certeza absoluta de que nós ganharemos dele. Só não me pergunte quem será o candidato do nosso lado — disse Tripoli.

Para o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), a candidatura de Lula à Presidência tornou-se inviável.

— Demorou, mas finalmente o chefe da quadrilha caiu. Essa é uma notícia que esperávamos desde os tempos do mensalão, quando Lula conseguiu escapar das garras da Justiça. Se a rejeição contra Lula já era grande, agora, com a condenação, o PT vê desabar sua única aposta para voltar ao poder. Trata-se de uma decisão que merece ser comemorada por todos aqueles que foram enganados pelo maior estelionatário político de nossa história — disse Bueno.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou se tratar de “mais um resultado do excelente trabalho” de Moro e classificou Lula como o “chefe da quadrilha que saqueou o Brasil”:

— É a primeira vez que um ex-presidente é condenado por receber propina, usada, por exemplo, para comprar o famoso tríplex do Guarujá. E é só o começo. Lula ainda tem mais outros quatro processos em andamento. Justiça sendo feita contra um criminoso que tantos prejuízos trouxe ao Brasil com seu projeto de poder — disse Caiado.

O líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), disse que a condenação foi baseada em provas e que será didática para mostrar que os “poderosos” também enfrentam a Justiça.

— A sentença proferida pelo juiz Moro contra o ex-presidente Lula foi baseada na lei, nos fatos e nas provas. Significa o fortalecimento do combate à corrupção e à impunidade. E é uma lição didática para o cidadão brasileiro para mostrar que acabouse o tempo em que os poderosos não enfrentavam a Justiça. E todos devem ser iguais perante a lei — defendeu Efraim. Já o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), afirmou que a condenação tem base legal e disse esperar que os aliados do ex-presidente respeitem a decisão.

— A lei existe para todos. E ninguém pode estar acima da lei. A condenação do ex-presidente é uma decisão que precisa ser entendida como absolutamente correta tendo em vista que um juiz com a reputação do Sergio Moro não aplicaria uma penalidade sem ter provas e evidências suficientes para sustentá-la. Resta saber agora se os aliados do ex-presidente vão aceitar essa decisão, porque temos visto que nos últimos tempos eles não aceitam nada que seja legal ou democrático — disse Bauer. (Colaboraram Tatyane Mendes e Karla Gamba, estagiárias sob supervisão de Maria Lima)

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